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MAUS ESPÍRITOS

Fantasmas que nos perseguem


É necessário, antes de qualquer outra coisa, compreender o que é espírito.


A filosofia espírita, codificada por Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos, na questão 23 nos explica que espírito é o princípio inteligente do universo. E a pergunta 76 define o que é o espírito: “Pode dizer-se que os Espíritos são os seres inteligentes da criação. Povoam o Universo, além do mundo material.”


No livro Obras Póstumas, Allan Kardec no capítulo Manifestação dos Espíritos nos informa que "As almas ou Espíritos dos que aqui viveram constituem o mundo invisível que povoa o espaço e no meio do qual vivemos. Daí resulta que, desde que há homens, há Espíritos e que, se estes últimos têm o poder de manifestar-se."


Nós vivemos no mundo visível (mundo material) em meio do mundo invisível (mundo espiritual), os dois mundos se acha em contacto perpétuo, eles reagem incessantemente um sobre o outro, e essa reação é que constitui a origem de uma imensidade de fenômenos, que foram considerados sobrenaturais, por se não lhes conhecer a causa.


Dito isso nós precisamos compreender o que é espirito mau. Será que Deus criou em sua infinita sabedoria e justiça espíritos bons e espíritos maus? As perguntas 114 a 127 de O Livro dos Espíritos esclarecem essa questão: Os espíritos não são bons ou maus por natureza, eles mesmos se melhoram, por seu próprio esforço. Porque Deus criou todos os espíritos simples e ignorantes, ou seja, sem conhecimento.


Os espíritos vão adquirindo conhecimento à medida que passam pelas provas que Deus nos impõe. Tem espíritos que aceitam a prova com submissão e então progridem mais rápido, tem outros que se rebelam, ficam reclamando, se lamentando sempre, e progridem então mais lentamente, e dependendo da rebeldia ficam estagnados no caminho da evolução por longo tempo.


O espírito não precisa passar pela fieira da maldade para chegar ao bem, mas ele passa pela fieira da ignorância (fala de conhecimento, de experiencia, de estudo). Aí alguém pode perguntar: então porque alguns espíritos seguem o caminho do bem e outros seguem o caminho do mal? Pela sua vontade, pelas escolhas que eles fazem. Tudo é escolha, e a escolha é dirigida pela vontade.


E quais são as características desses espíritos maus: predominância da matéria sobre o espírito. propensão para o mal, ignorância, orgulho, egoísmo e todas as paixões que lhes são consequentes. Têm a intuição de Deus, mas não O compreendem. Nem todos são essencialmente maus. Em alguns há mais leviandade, irreflexão e malícia do que verdadeira maldade. Uns não fazem o bem nem o mal; mas, pelo simples fato de não fazerem o bem, já denotam a sua inferioridade.


Outros, ao contrário, se comprazem no mal e se rejubilam, sentem prazer, quando uma ocasião se lhes depara de praticá-lo. Neles a inteligência pode achar-se aliada à maldade ou à malícia; seja, porém, qual for o grau que tenham alcançado de desenvolvimento intelectual, suas ideias são pouco elevadas e mais ou menos abjetos seus sentimentos. Eles veem a felicidade dos bons e esse espetáculo lhes constitui um tormento incessante, porque os faz experimentar todas as angústias que a inveja e o ciúme podem causar. Conservam a lembrança e a percepção dos sofrimentos da vida corpórea e essa impressão é muitas vezes mais penosa do que a realidade. Sofrem, pois, verdadeiramente, pelos males de que padeceram em vida e pelos que ocasionaram aos outros. E, como sofrem por longo tempo, julgam que sofrerão para sempre.


Esses maus espíritos se aproximam de nós pela sintonia que estabelecemos com eles. Ou seja, nós mesmos é que os atraímos com nossos pensamentos desequilibrados e voltados para o mal.


Os maus Espíritos somente procuram os lugares onde encontrem possibilidades de dar expansão à sua perversidade. Para os afastar, não basta pedir-lhes, nem mesmo ordenar-lhes que se vão; é preciso que o homem elimine de si o que os atrai. Os Espíritos maus farejam as chagas da alma, como as moscas farejam as chagas do corpo. Assim como se limpa o corpo, para evitar a bicheira, também se deve limpar de suas impurezas a alma, para evitar os maus Espíritos. Vivendo num mundo onde estes pululam, nem sempre as boas qualidades do coração nos põem a salvo de suas tentativas; dão-nos, entretanto, forças para que lhes resistamos. - Allan Kardec - Evangelho Segundo o Espiritismo

Então, nós percebemos que é pela sintonia que nós somos alvos dos maus espíritos. A sintonia se estabelece pelas correntes mentais, ou seja pelo pensamento. Emmanuel no livro Pensamento e Vida, pela psicografia de Chico Xavier, nos esclarece que a mente é o espelho da alma.

Em todos os domínios do Universo vibra, pois, a influência recíproca.

Tudo se desloca e renova sob os princípios de interdependência e repercussão.

O reflexo esboça a emotividade. A emotividade plasma a idéia.A idéia determina a atitude e a palavra que comandam as ações.Ninguém permanece fora do movimento de permuta incessante. (…) O reflexo mental mora no alicerce da vida.


A associação mora em todas as coisas, preside a todos os acontecimentos e comanda a existência de todos os seres. (…) Assim também na vida comum, a alma entra em ressonância com as correntes mentais em que respiram as almas que se lhe assemelham. Assimilamos os pensamentos daqueles que pensam como pensamos. É que sentindo, mentalizando, falando ou agindo, sintonizamo-nos com as emoções e idéias de todas as pessoas, encarnadas ou desencarnadas, da nossa faixa de simpatia. Estamos invariavelmente atraindo ou repelindo recursos mentais que se agregam aos nossos, fortificando-nos para o bem ou para o mal, segundo a direção que escolhemos. - Chico Xavier por Emmanuel

Quando sentimos raiva, ódio, tristeza exagerada, quando fazemos o que é errado, quando nos ligamos a idéias que são contrárias aos ensinamento de Jesus, as Leis de Amor do Pai, estamos estabelecendo ligação com aqueles que pensam e agem da mesma forma. Quando sentimos, formamos uma idéia, um pensamento, e esse pensamento vai dirigir as nossas palavras e ações. É assim que criamos a sintonia vibratória que permite que os maus espíritos tenham influência sobre nós.


É preciso não perder de vista que o espíritos constituem todo um mundo, toda uma população que enche o espaço, circula ao nosso lado, mistura-se a tudo quanto fazemos. Se o véu que os oculta de nossa visão viesse a ser levantado, nós os veríamos à nossa volta, indo e vindo, seguindo-nos ou nos evitando, conforme o grau de simpatia; uns indiferentes, verdadeiros desocupados do mundo oculto, outros muito ocupados, quer consigo mesmos, quer com os homens aos quais se ligam, com um propósito mais ou menos louvável, segundo as qualidades que os distinguem. Veríamos, na verdade, uma cópia perfeita do gênero humano, com suas boas e más qualidades, com suas virtudes e vícios.


E não podemos escapar desse envolvimento, uma vez que não há recantos por demais ocultos que sejam inacessíveis aos Espíritos, e eles exercem sobre nós e à nossa revelia, uma influência permanente. Uns nos impelem ao bem, outros ao mal; muitas vezes as nossas determinações resultam de suas sugestões; felizes daqueles que têm juízo suficiente para discernir o bom ou o mau caminho por onde nos procuram arrastar. Considerando-se que os Espíritos nada mais são que os próprios homens despojados de sua indumentária grosseira, ou almas que sobrevivem aos corpos, segue-se que há Espíritos desde que há seres humanos no Universo.


Um coisa interessante é que até durante o sono nós sofremos a influencia dos espíritos.

No livro Obras Póstumas, Kardec trata na parte Emancipação da Alma: “Durante o sono, apenas o corpo repousa; o Espírito, esse não dorme; aproveita-se do repouso do primeiro e dos momentos em que a sua presença não é necessária para atuar isoladamente e ir aonde quiser, no gozo então da sua liberdade e da plenitude das suas faculdades. Durante a encarnação, o Espírito jamais se acha completamente separado do corpo; qualquer que seja a distância a que se transporte, conserva-se preso sempre àquele por um laço fluídico que serve para fazê-lo voltar à prisão corpórea, desde que a sua presença ali se torne necessária. Esse laço só a morte o rompe."


Quando dormimos, nossa alma se liberta parcialmente do corpo e ficamos, temporariamente, no estado em que nos acharemos de maneira definitiva após a morte. O sonho é uma lembrança do que o Espírito viu durante o sono. É assim que entramos em contato tanto com os espíritos bons e também com os maus espíritos, que se servem dos sonhos para atormentar as almas fracas ou pusilânimes, aquelas que apresentam ainda fraqueza moral.



Como afastar os maus espíritos?


Antes de tudo podemos estabelecer como princípio que os espíritos maus não aparecem senão onde alguma coisa os atrai. Eles aparecem onde encontram simpatia, similaridade de pensamentos, sintonia. As nossas imperfeições morais os atraem, porque o mal simpatiza sempre com o mal.


Então é uma questão de sintonia vibratória. Se nos melhoramos, deixamos de estar acessível a influencia desses espíritos, eles podem até tentar, mas não conseguem.


O Livro dos Espíritos esclarece de forma contundente esse assunto nas questões:


467 – Pode-se se libertar da influência dos Espíritos que nos solicitam ao mal?

– Sim, porque eles não se ligam senão aos que os solicitam por seus desejos ou os atraem por seus pensamentos.


468 – Os Espíritos cuja influência é repelida pela vontade, renunciam às suas tentativas?

– Que queres tu que eles façam? Quando não há nada a fazer, eles cedem o lugar; entretanto, aguardam o momento favorável, como o gato espreita o rato.


469 – Por que meios se pode neutralizar a influência dos maus Espíritos?

– Fazendo o bem e colocando toda a vossa confiança em Deus, repelis a influência dos Espíritos inferiores, e destruís o império que eles querem tomar sobre vós. Evitai escutar as sugestões dos Espíritos que suscitam em vós os maus pensamentos, sopram a discórdia entre vós e vos excitam todas as más paixões. Desconfiai, sobretudo, daqueles que exaltam vosso orgulho porque vos tomam por vossa fraqueza. Eis porque Jesus nos faz dizer na oração dominical: “Senhor! não nos deixeis sucumbir à tentação, mas livrai-nos do mal”.


Lembremo-nos que a vida que vivemos é responsabilidade de cada um de nós. As nossas companhias espirituais são reflexo daquilo que somos. Só existe uma fórmula para afastar as más companhias, os maus espíritos, é: melhore-se.



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1 comentário


Jeferson Souza
Jeferson Souza
05 de fev.

Excelente material de estudo e reflexão.

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