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NÓS E O MUNDO

Estamos no mundo, mas não somos do mundo.


Muitos de nós quando comentamos os acontecimentos do mundo, tentando buscar um entendimento melhor do que ocorre a nossa volta, caímos no engano de pensar que não fazemos parte da comunidade em que vivemos, como se estivéssemos a margem dos acontecimentos somente observando.

Nos esquecemos de que todas as nossas escolhas e atitudes, tudo o que decidimos individualmente, interfere nos acontecimentos do mundo, não somos meros observadores.

Ao agirmos como se não fôssemos parte de uma comunidade e não partilhássemos do que acontece ao nosso redor, partimos para criticar as pessoas tentando nos isentar dos problemas em comum que nos dizem respeito, apontamos facilmente as falhas dos que se dispõe a assumir a liderança ignorando a nossa própria responsabilidade e nos acomodando na facilidade de condenar os outros pelas agruras do mundo.

Só há um problema nessa postura: ninguém condena o outro sem condenar a si mesmo. Será que é tão difícil nos lembrarmos que o mundo é o que é porque nós, homens, somos o que somos? Será que não compreendemos ainda que a vida que temos como humanidade é o simples reflexo e consequência natural daquilo que somos individualmente, daquilo que trazemos no interior de cada um de nós?

Dei-lhes a tua palavra, e o mundo os odiou, porque não são do mundo, assim como eu não sou do mundo. Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal. Não são do mundo, como eu do mundo não sou. Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade. Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo. - Jesus (João 17:14-18)

É perfeitamente compreensível que nós, espíritos encarnados, tenhamos uma certa tendência para nos ligarmos às coisas materiais, pois estamos mergulhados na matéria, esquecidos de nossas existências anteriores. Quando estamos aqui buscamos sim o progresso material, a satisfação de nossas necessidade materiais procurando nos realizar pessoalmente.

Embora estejamos ligados à matéria, ao pesado mundo das formas e aparências, não podemos nos esquecer que não somos somente matéria. Na verdade, somos espíritos vivendo experiências na matéria. A nossa busca por satisfação pessoal não pode limitar-se à visão ilusória do mundo.

Já perceberam que, apesar de nossa busca frenética pelas realizações materiais, sejam elas quais forem: uma casa nova, um carro novo, um curso caro, um emprego que pague muito bem, jóias e roupas de grife, dinheiro no banco, viagens... não importa o que seja, em algum momento sentimos falta de algo?

Percebemos que, por mais coisas materiais que tenhamos, ainda nos falta alguma coisa. E não estou aqui recriminando a riqueza, não é isso. Eu, particularmente, acredito que todos nós devemos ter uma vida material boa, que nos permita viver neste mundo material de forma adequada, confortável. Mas nós nos esquecemos que a vida material é transitória, é passageira. Afinal, todos nós vamos deixar, na hora da morte, o nosso corpo físico e tudo o que conquistamos materialmente para trás.

O que nós possuímos verdadeiramente são as nossas conquistas espirituais. Conquistas que passam pela nossa elevação moral, pelo desenvolvimento de nossos valores íntimos, de nossa capacidade de amar, do aperfeiçoamento de nossa capacidade intelectual e emocional. Essas sim, conquistas verdadeiras e permanentes.

Nossa atitude de colocarmos o foco no mundo material, nos esquecendo da verdadeira vida que é espiritual, é que faz com que cometamos tantos enganos individuais e coletivos. Cada atitude e decisão que faço individualmente reflete, invariavelmente, na comunidade que estou inserido. A vida em comunidade reflete necessariamente a vida interior de cada um.

Portanto, se eu quero viver em um mundo melhor, eu preciso ser uma pessoa melhor; se eu busco um mundo com mais justiça, eu tenho que ser mais justo; se eu exijo dos outros mais tolerância e respeito, eu devo antes ser exemplo de tolerância e respeito; se eu quero viver num mundo em paz, eu devo me pacificar primeiro; se eu quero um mundo com mais amor e fraternidade; eu devo aprender a amar verdadeiramente e ser mais fraterno.

Não há mudança coletiva que não passe antes pela mudança individual.


Estamos no mundo, mas não somos do mundo.


Quando Jesus disse que não somos do mundo, ele nos alertou que não pertencemos ao mundo material, mas sim ao mundo espiritual onde está a nossa verdadeira existência.

O mundo material é como escola de aprendizado. Precisamos avançar contribuindo para a melhoria dessa escola, fazendo dela um lugar mais belo e mais sadio para todos nós que nela estamos. E só conseguiremos isso encontrando equilíbrio entre as necessidades da vida material e da vida espiritual.

Quando concentramos o objetivo de nossa vida nas questões puramente materiais, perdemos de vista a realidade espiritual. E se, ao contrário, colocarmos, enquanto encarnados, toda a nossa atenção somente na vida espiritual, corremos sério risco de mistificação.

O que precisamos é, enquanto estamos no mundo material, conservar nossos pés tocando o chão da Terra, sem nos esquecermos que as nossas conquistas verdadeiras são espirituais, são o aperfeiçoamento dos nossos valores íntimos, são a elevação da nossa vida moral.

Estar no mundo não é ser do mundo.

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