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ARREPENDIMENTO

Quando julgamos a nós mesmos


Você já possou, com certeza, por algum momento em que colocou as mãos na cabeça e se perguntou "Meu Deus, o que foi que eu fiz?"


Algumas de nossas atitudes geram arrependimento. Quando refletimos sobre essa questão, percebemos que o arrependimento está interligado a outras questões que nós precisamos compreender para, então, entendê-lo. Essas questões são: dever - culpa - remorso - arrependimento - perdão.


O dever é a obrigação de fazer alguma coisa imposta por lei, pela moral, pelos usos e costumes ou pela própria consciência. Em sentido absoluto é conjunto das obrigações de uma pessoa: ser fiel ao dever. Em sentido particular é uma regra de ação específica ou uma obrigação definida.


Na Revista espírita de dezembro de 1863, há um texto do espírito Lázaro, intitulado "O dever", que diz "O dever é a obrigação moral da criatura para consigo mesma, primeiro, e, em seguida, para com os outros. O dever é a lei da vida. Com ele deparamos nas mais ínfimas particularidades, como nos atos mais elevados." Emmanuel no livro Pensamento e Vida, pela psicografia de Chico Xavier, informa que "O dever define a submissão que nos cabe a certos princípios estabelecidos como leis pela Sabedoria Divina, para o desenvolvimento de nossas faculdades."


O dever pode ser entendido como a responsabilidade que Deus nos dá para agir numa determinada faixa de ação no bem para que nós possamos contribuir com a sustentação da ordem e da evolução em Sua Obra Divina. Para cumprir bem o nosso dever nós precisamos de disciplina. Disciplina anda de mãos dadas com o dever. Disciplina é conceituada da seguinte forma: obediência às regras, aos superiores, regulamentos, ordem, conduta que assegura o bem-estar dos indivíduos ou o bom funcionamento. Emmanuel sempre abordou a questão da disciplina, tamanha importância desse tema.


Chico Xavier psicografou um livro intitulado Doutrina-escola, onde há uma mensagem de Emmanuel explicando a questão da disciplina. Paz no meio em que se vive?  Aceitar a disciplina. Êxito na própria ação? Manter-se em disciplina. Sustentação de amigos? Viver em disciplina. Melhorar condições? Trabalho e disciplina. Tranquilidade em casa? Cultivar disciplina. Vencer na própria vida?  Sempre mais disciplina. Percebemos assim como a disciplina é fundamental na vida e que perpassa por todos os setores dela.


Cada um de nós tem o dever, a obrigação de respeitar, promover, facilitar e de nutrir o bem comum. E quando compreendemos essa questão temos, então, a atitude espontânea de cumprir o nosso dever conquistando o auxílio natural de todos aqueles espíritos em melhores condições que nós, que já tem essa compreensão da necessidade do se cumprir o dever por amor.


Emmanuel diz, no livro Pensamento e Vida, que "com semelhante atitude, cada Espírito plasma os reflexos de si mesmo, por onde passa, abrindo-se aos reflexos das mentes mais elevadas que o impulsionam à contemplação de mais vastos horizontes do progresso e à adequada assimilação de mais altos valores da vida." Ou seja, é pela execução do dever, que Emmanuel define como sendo a região moral de serviço em que somos constantemente alertados pela nossa consciência, que nós exteriorizamos a nossa melhor parte, e também recolhemos a melhor parte dos outros.


Agora, como seres humanos imperfeitos que somos, vivendo num mundo de prova e expiação, ainda muito influenciados pelos materialismo, com dificuldades de superar o orgulho e o egoísmo, muitas vezes criamos perturbações nessa linha das atividades que o Pai nos confia, Emmanuel diz: "não apenas desconjuntamos a peça de nossa existência, como também colocamos em desordem muitas existências alheias, desajustando outras muitas peças na máquina do destino." Quando nós criamos essas perturbações, nós somos constrangidos à luta maior, Emmanuel tem uma expressão interessante: nós somos constrangidos ao dever-regeneração. Ou seja, somos compelidos, diante dessa perturbação causada por nós, a produzir reflexos inteiramente renovadores de nossa individualidade, à frente daqueles que se fizeram credores das nossas quotas de sacrifício. É dessa maneira que recebemos, por imposição das circunstâncias, a esposa incompreensiva, o esposo colérico, o filho doente, o chefe agressivo, o subalterno infeliz, a enfermidade persistente ou a tarefa compulsória a benefício dos outros, como terreno espiritual para esforço intensivo na recuperação de nós mesmos. Não adianta, por esse motivo, querer fugir e abandonar o campo da obrigações em que nos encontramos, obrigações essas que muitas vezes são duras e difíceis.


Diante dos nossos enganos, muitos daqueles que se tornam nossos credores, eles mesmos nos perdoam o engano e o erro cometido. O que acontece é que mesmo diante do perdão do outro, ordena a razão estejamos de sentinela na obra de paciência e de tolerância, de humildade e de amor, que fomos chamados intimamente a atender; diz Emmanuel. Porque quando somos perdoados, quando o outro exerce a renúncia do seu crédito para conosco, não obstante pareça legal e honesto o nosso afastamento da luta, somos inevitavelmente tomados por sensações íntimas de desgosto ante as nossas próprias fraquezas. Até mesmo as ligeiras irritações e os pequenos desalentos acabam matriculando-nos o espírito na escola da enfermidade ou na vala da frustração. Por isso não adianta fugir da nossa obrigação, do nosso cumprimento do dever.


Quando nós fugimos ao dever, nós caímos no sentimento de culpa. A Culpa pode ser definida como consciência mais ou menos penosa de ter descumprido uma norma social e/ou um compromisso (afetivo, moral, institucional) assumido livremente ou a responsabilidade por dano, mal, desastre causado a outrem. Do sentimento de culpa se origina o remorso.


O remorso, que é inquietação, abatimento da consciência que percebe ter cometido uma falta ou erro, se manifesta de muitas formas, e nos impõe brechas de sombra aos tecidos sutis da alma. Emmanuel nos diz para agradecermos os encargos que a vida nos confia, procurando cumpri-los, alegremente. Alguns centímetros de remorso pesam no coração muito mais que uma tonelada de sacrifícios.


O arrependimento é o pesar ou lamentação pelo mal cometido, contrição, sentimento de que você ofendeu a Deus. Vejam, remorso e arrependimento são coisas diferentes. Na Revista Espírita de 1860, há um artigo intitulado Remorso e Arrependimento, assinada por um anjo da guarda, que diz sobre essa diferença:


"Recordai-vos de que o arrependimento sincero obtém o perdão de todas as faltas, tamanha é a bondade de Deus. O remorso nada tem em comum com o arrependimento; o remorso, meus irmãos, já é o prelúdio do castigo. O arrependimento, a caridade, a fé, vos conduzirão às felicidades reservadas aos bons Espíritos."

O arrependimento é constantemente fortalecido pelos reflexos da lembrança do nosso erro, do nosso engano. Quando abrigamos dentro de nós o sentimento de culpa, o resultado é que vamos perdendo as forças para buscar nosso crescimento e evolução, enfim, a nossa felicidade. Ficamos acabrunhados, muitas vezes reclamando que não temos força pra nos libertarmos da culpa. E muitas vezes nos sentimos tão culpados que passamos a pensar que não merecemos ser felizes. Isso é até meio engraçado, porque nós passamos a vida toda buscando felicidade pessoal, profissional, social, e quando, por exemplo, nos realizamos profissionalmente, nós nos recusamos a sermos realmente felizes, porque ficamos presos, pelo complexo de culpa que não resolvemos, em cobranças exageradas.


O problema é que nos esquecemos que todos temos um campo eletromagnético, que é um campo de forca criativa ou destrutiva, de acordo com a nossa índole, nosso caráter, nosso temperamento, nosso proceder. É por esse campo que estabelecemos nossas ligações uns com os outros,  ligações de natureza invisível, no campo da afinidade. E quando ficamos presos no complexo de culpa, atraímos inteligências desencarnadas infelizes que se sintonizam com esse sentimento que estamos nutrindo. Essas inteligências vão se aproximando de nós, e pela sua própria condição infeliz, aumentam o nosso complexo de culpa e vão se apoderando das nossas emoções desequilibradas. Acontece, então, o intercâmbio de sentimentos desequilibrados, tornando-se um quadro desolador, surgindo processos de reajustes mais ou menos intensos que acabam com os dias da pessoa, podendo surgir manifestações de autopunição e até mesmo de suicídio.


Emmanuel no livro pensamento e vida, fala da culpa: "É nesse estado negativo que, martelados pelas vibrações de sentimentos e pensamentos doentios, atingimos o desequilíbrio parcial ou total da harmonia orgânica, enredando corpo e alma nas teias da enfermidade, com a mais complicada diagnose da patologia clássica. A noção de culpa, com todo o séquito das perturbações que lhe são consequentes, agirá com os seus reflexos incessantes sobre a região do corpo ou da alma que corresponda ao tema do remorso de que sejamos portadores." A culpa é devastadora.


E toda vez que nós desertamos do dever a cumprir, que é se melhorar, corrigir os erros, buscar o conhecimento, o autoconhecimento, praticar todo o bem que pudermos, perdoar, amar… teremos problemas. Toda deserção traz o arrependimento junto, que vem acompanhado de situações difíceis, dolorosas, e que exige então, na grande maioria das vezes, demoradas existências de reaprendizado e restauração, por vezes séculos e séculos. Emmanuel nos diz pela psicografia de Chico Xavier que cair em culpa demanda, por isso mesmo, humildade viva para o reajustamento tão imediato quanto possível de nosso equilíbrio vibratório, se não desejamos o ingresso inquietante na escola das longas reparações.


Eu penso que é sempre a terapia do amor que dissolve essa rocha de culpa que nós carregamos e apresenta novas oportunidade de realização em nossa vida, fazendo com que valorizemos a própria vida, as experiências atuais e compreendamos as experiencias já vividas, e isso vai contribuindo para o nosso equilíbrio interior. É o Evangelho em ação.


O remorso é um lampejo de Deus sobre o complexo de culpa que se expressa por enfermidade da consciência. O sofrimento é a terapia de Deus destinada a erradicá-la. - Chico Xavier por Emmanuel

Não foi sem motivo que Jesus nos aconselhou a reconciliação com os nossos adversários, enquanto nos achamos caminhando com eles, nos ensinando que é sobre o alicerce do amor puro e do perdão sem limites que nós vamos encontrar a felicidade.


Com o arrependimento surge em nosso íntimo a necessidade do perdão que não é somente desculpar e relevar, e sim esquecer verdadeiramente.


“Ninguém que passa pela experiência física é isento da necessidade do perdão. Perdoar é, acima de tudo, liberar-se do peso esmagador que oprime o coração.” - Robson Pinheiro por Alex Zarthú

A pergunta 661 do Livro dos Espíritos “Poderemos utilmente pedir a Deus que perdoe as nossas faltas?”, tem como resposta dos Espíritos:  “Deus sabe discernir o bem do mal; a prece não esconde as faltas. Aquele que a Deus pede perdão de suas faltas só o obtém mudando de proceder. As boas ações são a melhor prece, por isso que os atos valem mais que as palavras.”


Sempre que eu penso em perdão, eu me volto para a oração do Pai Nosso “E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores”. Jesus foi claro: perdoa para que seja perdoado.


Aprendendo a perdoar verdadeiramente


No Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo X, há uma mensagem do apóstolo Paulo, cujo título é Perdão das ofensas. Essa mensagem explica a necessidade de perdoarmos sempre.


“Mas, há duas maneiras bem diferentes de perdoar: há o perdão dos lábios e o perdão do coração. Muitas pessoas dizem, com referência ao seu adversário: “Eu lhe perdôo”, mas, interiormente, alegram-se com o mal que lhe advém, comentando que ele tem o que merece. Quantos não dizem: “Perdôo” e acrescentam: “mas, não me reconciliarei nunca; não quero tornar a vê-lo em toda a minha vida.” Será esse o perdão, segundo o Evangelho? Não; o perdão verdadeiro, o perdão cristão é aquele que lança um véu sobre o passado; esse o único que vos será levado em conta, visto que Deus não se satisfaz com as aparências. Ele sonda o recesso do coração e os mais secretos pensamentos. Ninguém se lhe impõe por meio de vãs palavras e de simulacros. O esquecimento completo e absoluto das ofensas é peculiar às grandes almas; o rancor é sempre sinal de baixeza e de inferioridade. Não olvideis que o verdadeiro perdão se reconhece muito mais pelos atos do que pelas palavras."


Portanto, compreender todas essas questões e como estão interligadas, é condição para o nosso próprio aprimoramento e para uma vida melhor e mais feliz.




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1 commentaire


Jeferson Souza
Jeferson Souza
27 nov. 2023

Excelente conteúdo. Muito importante para reflexão 😊

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