MEIA-NOITE
- Lara

- 23 de jan.
- 6 min de leitura
O novo dia que começa.

A meia-noite é o momento que marca o fim de um dia - fim da vigésima quarta hora, e o começo do dia seguinte - início da primeira hora.
É a hora da transição de um dia para o outro. Nós estamos, neste exato momento da humanidade, vivenciando a meia-noite da nossa existência.
Observemos as inúmeras crises pelas quais o mundo passa. Guerras, conflitos, convulsões sociais, obstáculos imensos, e, não podemos nos esquecer, os desafios da natureza que parece estar brava com o ser humano.
O mundo parece estar como um barco que é apanhado em meio a tempestade, envolto em escuridão. E não é qualquer tempestade! Fomos avisados sobre esses tempos. Basta que recorramos ao Evangelho de Mateus 24:4-14 "E Jesus, respondendo, disse-lhes: Acautelai-vos, que ninguém vos engane porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos. E ouvireis de guerras e de rumores de guerras; olhai, não vos assusteis, porque é mister que isso tudo aconteça, mas ainda não é o fim. Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino, e haverá fomes, e pestes, e terremotos, em vários lugares. Mas todas essas coisas são o princípio das dores. Então, vos hão de entregar para serdes atormentados e matar-vos-ão; e sereis odiados de todas as gentes por causa do meu nome. Nesse tempo, muitos serão escandalizados, e trair-se-ão uns aos outros, e uns aos outros se aborrecerão. E surgirão muitos falsos profetas e enganarão a muitos. E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos se esfriará. Mas aquele que perseverar até ao fim será salvo. E este evangelho do Reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as gentes, e então virá o fim."
São tempos difíceis e tumultuados, porém, são tempos nossos para vivermos.
Dentro desse barco, chamado Terra, somente aquele que tem fé e confiança em Deus não se alarma e nada teme, porque sabe que no leme dessa embarcação planetária está Jesus, o Divino Condutor.
Todavia, acontece que dentro desse nosso barco não existem somente os viajores que acalentam a fé e a esperança. Existem aqueles que são ansiosos, que contribuem para que surjam desavenças cruéis, discussões tensas e inúteis, principalmente quanto a rota a se tomar. Embora Jesus já tenha estabelecido a rota segura, insistimos em querer alterá-la. Alterá-la para pior.
Vemos amigos ferindo amigos, parentes que se ignoram, comportamentos agressivos, todos parecendo doentes e afoitos, sem coragem de esperar e sem confiança no que o amanhã trará.
Nessa hora sombria pela qual passamos, ruge, em torno de nós, a ventania, os raios e os trovões ensurdecedores. O homem se apequena, não pensa nos outros, a multidão vai se atropelando, sem pensar, sem raciocinar, clamando por salvação na ilusão do materialismo. Muitos se associam a ideias pueris e tolas, querendo uma igualdade impossível de se conseguir, e, de forma irracional, entregam suas mentes e corações ao engano e às trevas. Poucos, muitos poucos, voltam seus olhos para Deus. Esses são os dias que estamos vivendo.
É a meia-noite em nossa existência.
Há uma passagem em Atos dos Apóstolos que relata quando Paulo e Silas estavam encarcerados nas trevas da prisão, dilacerados pelos açoites, juntamente com outros que ali permaneciam sem esperanças, e, ainda assim, tiveram forças para orar e cantar hinos em louvor a Deus.“Era perto da meia-noite; Paulo e Silas cantavam hinos a Deus e os outros presos os escutavam.” — Atos 16.25
Quantos de nós ainda encontram-se encarcerados no egoísmo, no orgulho, na vaidade, na ilusão material, na ilusão do poder terreno, que é temporário? Sem esperança, sem encontrar consolo para as dores morais que enfrentam, revoltam-se e se esquecem do Criador.
Mas existem aqueles que confiam no Pai, confiam em Jesus, permanecem fiéis ao Cristo, buscando vivenciar seus ensinamentos, levando aos outros, apesar da dureza desse período que vivemos, a canção da esperança, do amor, da justiça, da fé.
O mundo atravessa um período de transições amargas e profundas. Parece que estamos mergulhados em sombras espessas devido a tanta maldade que vemos, tantos problemas e desafios que vivenciamos. São as sombras que precedem a meia-noite.
Conhecimentos luminosos trazidos pelo Cristo parecem esquecidos e desvirtuados por parte dos homens. Como diz Emmanuel: as noções de justiça e direito, programas de paz e tratados de assistência mútua são relegados a plano de esquecimento. Tudo parece estar relegado ao interesse próprio. Tudo é motivo para contenda e desequilíbrios de toda espécie.
Animais furiosos aproveitam a treva para se evadirem dos recônditos escaninhos da alma humana, onde permaneciam guardados pela cobertura da civilização, e tentam dominar as criaturas empregando o terror, a perseguição, a violência. - Chico Xavier por Emmanuel, livro Trilha de Luz
Temos visto no mundo uma perseguição sistemática aos Cristãos, episódios de violência, não só física como moral. É como se os piores monstros, as quimeras mais odientas, estivesses soltos no mundo causando caos e destruição. Esses monstros são aqueles que estão dentro de nós.
Presos em cárceres de desilusão, sofrimento, amargura, remorso e crimes, vemos pessoas que estão algemadas às ilusões da matéria por não terem compreendido o propósito maior da vida. Fazemos guerras cruentas em que mães e pais choram, crianças são perdidas e idosos esquecidos. Há uma verdadeira escalada de guerras e conflitos. E caminhamos entre a dor causada por tamanha bestialidade humana.
Quem poderá contar as angústias da noite dolorosa? - Chico Xavier por Emmanuel, livro Trilha de Luz
Os desafios desses tempos são imensos. Dor e sofrimento por toda a parte. Iniquidade, loucura e maldade. Aquele que se esforça na vivência do Evangelho do Cristo Jesus é conduzido a testemunhos ásperos. Muitos, por medo e falta de confiança, fogem à hora de sofrimentos que se apresenta a toda humanidade. Cedem ao pessimismo. Silenciam. Preferem se esconder, calar, negar.
Apesar dos profetas do pessimismo, bulcões (nuvens de tempestade) ameaçadores transformam-se, na hora da tempestade, em lagos volantes, acalentando a gleba sedenta; fontes de longo curso atravessam as garras pontiagudas da rocha, convertendo-se em padrão de pureza; pântanos drenados deitam messes de reconforto e árvores podadas multiplicam a produção. - Chico Xavier por Emmanuel, livro Religião dos Espíritos
Os que se mantém fiéis ao Cristo, com confiança e fé, suportam ainda, e mais uma vez, as pedradas e os açoites, a calúnia e a ofensa, perpetrados pelos representantes das trevas no mundo. Embora estejamos na meia-noite da civilização humana, é preciso seguir orando e cantando a esperança no dia que já raia no horizonte, levando alento aos companheiros de jornada.
Por maiores sejam as dores enfrentadas, aprendamos a reparar o mundo pelo Evangelho do Cristo Jesus, compreendendo que Deus, nosso Pai, nunca nos desampara. Se tivermos confiança em Deus, se seguirmos e vivenciarmos os ensinamentos de Nosso Mestre Jesus, e, se apesar de todas as dificuldades, conseguirmos perseverar no serviço do bem, no trabalho do nosso próprio aprimoramento, servindo sempre, compreenderemos o nosso papel neste momento.
Todas essas dificuldades são transitórias, tudo passará. A aurora de um novo mundo já desperta no horizonte desse planeta. Tudo é serviço por toda parte. Tudo está se transformando. Tudo é renovação com base nos verdadeiros valores conquistados pela humanidade. O falso progresso, incitado pelas mentes sombrias e contrárias ao Cristo, será vencido.
Enquanto raras almas sabem perceber os primeiros rubores da alvorada, em virtude da sombra extensa, recordemos os devotados obreiros do Mestre e busquemos na prece ativa o refúgio consolador. - Chico Xavier por Emmanuel, livro Trilha de Luz
Busquemos inspiração nos grandes espíritos que aqui estiveram e deixaram a sua mensagem de trabalho, renúncia de si mesmos, perseverança e amor. Busquemos inspiração em Jesus, nosso Mestre e Guia.
O mundo experimenta a tempestade furiosa das grandes transformações. Confiemos em Jesus, aprendamos com Ele. Renovemos nosso modo de sentir, pensar e agir nos padrões do Mestre Nazareno. Muitas transformações ocorrem em nossa vida, mas somente aquela que nos alcança a intimidade da alma é que é essencial.
Transformemo-nos com Jesus, pois só Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida.
Procuremos, ante os desafios que se apresentam nestes tempos, o refúgio seguro na oração e no trabalho, na fé e no otimismo, porque é preciso realizar a tarefa que Jesus nos reservou. Peçamos ao Divino Amigo que Ele fortaleça a nossa coragem e determinação, a fé e esperança, necessárias para caminharmos no mundo nesse momento.
Tenhamos olhos para ver que a luz de novo dia, de um dia abençoado, está a nascer. Em Jesus Cristo repousa nossa confiança e resistência espiritual, pois Ele é o sol da nossa vida.



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