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  • Foto do escritorLara

REBELDIA

Acorrentando-nos a dor e ao sofrimento.


Rebeldia é o ato daquele que se revolta, que não se submete, não acata ordem nem disciplina, é insubordinado.


Refletindo sobre a rebeldia, lembrei-me de uma pequena história que o espírito Néio Lúcio, pela psicografia de Chico Xavier, narra no livro Alvorada Cristã.


É a história do Barro desobediente.


Houve um oleiro que chegou ao pátio de serviço e reparou com alegria um pequeno bloco de barro. Contemplou-o, enlevado, em face da cor viva com que se apresentava e falou:

— Vamos! Farei de ti delicado pote de laboratório. O analista alegrar-se-á com teu concurso valioso.

Imensamente surpreendido, porém, notou que o barro retrucava:

— Oh! Não, não quero! Eu, num laboratório, tolerando precipitações químicas? Por favor, não me toques para semelhante fim!

O oleiro, espantado, considerou:

— Desejo dar-te forma por amor, não por ódio. Sofrerás o calor do forno para que te faças belo e útil… Entretanto, porque te recusas ao que proponho, transformar-te-ei numa caprichosa ânfora destinada a depósito de perfumes.

— Oh! Nunca! Nunca!… — Exclamou o barro, — isto não! Estaria exposto ao prazer dos inconscientes. Não estou inclinado a suportar essências, através de peregrinações pelos móveis de luxo.

O dono do serviço meditou muito na desobediência da lama orgulhosa, mas, entendendo que tudo devia fazer por não trair a confiança do Céu, ponderou:

— Bem, converter-te-ei, então, num prato honrado e robusto. Comparecerás à mesa de meu lar. Ficarás conosco e serás companheiro de meus filhinhos.

— Jamais! — Bradou o barro, na indisciplina, — isto seria pesada humilhação… Transportar arroz cozido e aguentar caldos gordurosos na face? Assistir, inerme, às cenas de glutonaria em tua casa? Não, não me submetas!.

O trabalhador dedicado perdoou-lhe a ofensa e acrescentou:

— Modificaremos o programa ainda uma vez. Serás um vaso amigo, em que a límpida água repousa. Ajudarás aos sedentos que se aproximarem de ti. Muita gente abençoar-te-á a cooperação. Despertarás o contentamento e a gratidão nas criaturas!…

— Não, não! — Protestou a argila, — não quero! Seria condenar-me a tempo indefinido nas cantoneiras poeirentas ou nas salas escuras de pessoas desclassificadas. Por favor, poupa-me! Poupa-me!…

O oleiro cuidadoso considerou, preocupado:

— Que será de ti quando te conduzirem ao forno? Não passarás de matéria endurecida e informe, sem qualquer utilidade ou beleza. Sem sacrifício e sem disciplina, ninguém se eleva aos Planos da vida superior.

O barro, todavia, recusou a advertência, bradando:

— Não aceito sacrifício, nem disciplina… Antes que pudesse prosseguir, passou o enfornador arrebanhando a argila pronta, e o barro desobediente foi também conduzido ao forno em brasa.

Decorrido algum tempo, a lama vaidosa foi retirada e, — ó surpresa! — Não era pote de laboratório, nem ânfora de perfume, nem prato de refeição, nem vaso para água e, sim, feio pedaço de terra requeimada e morta, sem qualquer significação, sendo imediatamente atirada ao pântano.

Assim acontece a muitas criaturas no mundo. Revoltam-se contra a vontade soberana do Senhor que as convida ao trabalho de aperfeiçoamento, mas, depois de levadas pela experiência ao forno da morte, se transformam em verdadeiros fantasmas de desilusão e sofrimento, necessitando de longo tempo para retornarem às bênçãos da vida mais nobre.


Essa pequena historia de Néio Lúcio nos ensina que ao percebermos o espírito de rebeldia se aproximando de nossa mente e do nosso coração, sussurrando em nosso íntimo frases como: “não adianta fazer o bem”, “para que trabalhar tanto”, “você precisa aproveitar mais os prazeres da vida” ou “você não merece sofrer”, é preciso que nós silenciemos essas vozes aguçando os ouvidos da própria alma para que possamos recolher as grandes vozes inarticuladas da vida que nos impelem a sermos úteis, a trabalharmos, a servirmos, a nos melhorarmos.


Emmanuel, pela psicografia de Chico Xavier no livro Neste Instante nos exorta a observarmos a natureza que está em nosso entorno, e, assim, perceberemos que nos processos da Natureza que nos serve, em nome do Criador, não encontramos a revolta em nenhum lugar. Basta uma pequena observação e percebemos que a árvore que se poda nos responde com mais frutos; a pedra que cortamos para que ela nos auxilie na construção não se queixa; o cavalo que nos serve de montaria, a ovelha que é tosquiada para fornecer a lã para os agasalhos, todos obedecem sem reclamações. Aprendamos. Tudo serve na obra do Pai.


No alto, constelações que te habituaste a admirar, dizem-te ao pensamento: “antes que o teu raciocínio nos visse a luz, já obedecíamos ao Supremo Senhor para servir”, enquanto que a Terra te afirmará: “não és mais que um hóspede dos milhões que carrego há milênios”. Em torno de ti, a árvore falará: “esforço-me de janeiro a dezembro a fim de dar os meus frutos por alguns dias, em nome do Criador; entretanto, além disso, preciso tolerar o rigor ou a diferença das estações, aprendendo a memorizar”; e o animal te confessará: “vivo debaixo do teu arbítrio e fazes de mim o que desejas, por séculos e séculos, porque devo sofrer-te as ordens, sejam quais sejam, para que eu possa, um dia, sentir como sentes e pensar como pensas”. - Chico Xavier por Emmanuel, livro Encontro Marcado

Vejam, se isso acontece nos domínios da Natureza, onde a razão ainda não enriqueceu, se tudo serve na obra de Deus, e nós, homens, o que se aguardará de nós que já temos melhores padrões de discernimento?


Nós não podemos tomar a disciplina por tirania e nem  mesmo achar que a obediência é escravidão. Disciplina é dever de todos nós. Emmanuel diz: Queres viver com Deus? Disciplina é o lugar.


Obediência é o alicerce da Ordem. Tem pessoas que tomam a obediência como se fosse servilismo, e não é. Obediência  se reporta à disciplina, e sem ela a ordem não existiria.


E nós devemos obediência ao Pai, nosso criador. Devemos aprender a viver sob o jugo do Senhor, dentro da nossa liberdade de escolher o próprio caminho, porque só quando entendermos a necessidade de cumprir nossos deveres voluntariamente é que vamos caminhar para a nossa definitiva emancipação, para a nossa libertação.


Se algo está nos aborrecendo, basta uma reflexão sobre assunto e, na maioria das vezes, nós  perceberemos que o desgosto que nos aborrece é conosco mesmo.

Se nos irritamos com o pensamento diferente do nosso, com as opiniões diferentes da nossa, se nos sentimos mal-remunerados no trabalho, se percebemos a incompreensão dos companheiros de caminhada, se as relações familiares estão complicadas, não vamos cair na reclamação, vamos procurar refletir sobre a nossa própria conduta diante dessas situações e, à custa do nosso próprio esforço, promover a mudança que queremos em nós mesmos.


Qualquer que seja a dificuldade, o desafio, tenhamos calma, cultivemos a paciência, é preciso trabalhar sempre, servir com alegria e esperar sem aflição porque rebeldia é uma das piores formas de violência. E a violência não auxilia a ninguém. Rebeldia é orgulho impondo cegueira ao coração.


Em estado de rebeldia, nós nem conseguimos ser ajudados da melhor forma, porque a rebeldia é obstáculo ao auxilio superior. Emmanuel nos explica sobre esse tema no livro O Consolador, que é um livro de perguntas e respostas, na questão 125 –Reconhecendo que os nossos amigos do plano espiritual estão sempre ao nosso lado, em todos os trabalhos e dificuldades, a fim de nos inspirar, quais os maiores obstáculos que a sua bondade encontra em nós, para que recebamos os seus socorro indireto, afetuoso e eficiente?

Os maiores obstáculos psíquicos, antepostos pelo homem terrestre aos seus amigos e mentores da espiritualidade, são oriundos da ausência de humildade sincera nos corações; para o exame da própria situação de egoísmo, rebeldia e necessidade de sofrimento.


Entendamos que não há progresso sem esforço, não há aperfeiçoamento sem sacrifício,  não há vitória sem luta. Jamais alcançaremos a tranquilidade sem a paciência.


Nós não podemos fugir das obrigações que a vida nos confia, a pretexto de seguir os costumes ilógicos e desconcertantes a que muitos setores da atualidade terrestre pretendem nomear como sendo renovação. A renovação legítima se nos verifica no âmago do espírito com vistas ao nosso próprio aperfeiçoamento no mundo interior. Obediência para o bem é dever a cumprir. Compromisso com a desordem é subversão.


Emmanuel nos diz: Reflete na Infinita Bondade que preside o Universo, a cercar-nos de amor, em todas as direções, e reconheceremos que se transformações dolorosas, no campo da existência, muita vez nos transfiguram em crisálidas agoniadas de aflição, ao impacto das provações necessárias, a dor é o instrumento invisível de que Deus se utiliza para converter-nos, a pouco e pouco, em falenas de luz.


Rebeldia não serve para nada em nossa vida, somente para nos tirar do roteiro de evolução. Compreender a necessidade de se cumprir o dever é tarefa que não podemos adiar por mais tempo.


Franklin de Almeida, pela psicografia de Chico Xavier, no livro Paz e Alegria diz

Por mais que a revolta brade,

Fugindo de obedecer,

Só existe a liberdade

Onde se cumpre o dever.


A rebeldia sempre será algemas a nos acorrentar a dor e ao sofrimento.

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