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CASAMENTO

Progresso da sociedade


Dentre todas as instituições sociais humanas, o casamento é aquela que marca importante progresso em nossa sociedade.


Muitas pessoas nos dias de hoje torcem o nariz para essa realidade, porque de fato, o casamento constitui um dos primeiros atos de progresso nas sociedades humanas, porque estabelece a solidariedade fraterna entre duas criaturas. O casamento  pode ser observado entre todos os povos, porém em condições diversas.


Por isso, as trevas tentam a todo custo manchar e deturpar, chamando de valores retrógrados questões como casamento, família, lar…


E casamento, na verdade, não é uma coisa simples e fácil. Não pode ser tratado de forma leviana. O casamento é uma coisa complexa.


Vamos entender: cada um de nós é uma individualidade que se desconhece. Nós nos ignoramos solenemente. Em nosso mundo íntimo, nós temos guardados em nós grandezas que desconhecemos, inferioridades que ignoramos, reações que podemos ter sem perceber.


Porque será que os espíritos mais adiantados que nós recomendam tanto a necessidade de autoconhecimento, lembrem-se da frase no templo de Delfos: Conhece-te a ti mesmo…  Porque é o conhecimento de nós mesmos, de nossa luz e nossa sombra, que permite que possamos viver melhor, de forma mais equilibrada, mais feliz.


Na medida em que nós não nos conhecemos, nós vivenciamos uma relação na maioria das vezes difícil de nós para conosco. Imaginem a dificuldade a ser enfrentada quando nos unimos a uma outra criatura, que, por sua vez, também se desconhece.


Na grande maioria das vezes o que acontece: eu me desconheço, aquele que eu elejo para ser meu companheiro se desconhece, e juntos vamos formar uma dupla em que cada um ignora o outro mais profundamente ainda. Por isso o casamento é difícil.


Nós nos esquecemos de que todas as dificuldades podem ser superadas pela boa vontade e o esforço de cada um em se conhecer e se melhorar durante a caminhada. Quando temos esse desejo de nos unir a uma pessoa querida, amada, nós, pelo esforço sincero e honesto, pelo respeito, pela tolerância, pela disciplina, pelo amor, superamos essas dificuldades de entendimento e de convivência.


Funciona assim: cada vez que eu faço um esforço em me  autoconhecer, eu facilito o processo de conhecer a outra pessoa. Quando eu faço esse esforço e o outro também faz o mesmo esforço, eu me torno uma mulher melhor, o outro se torna um marido melhor e nós nos tornamos juntos um casal melhor.


Mas, como bons seres humanos que somos, na grande maioria das vezes, nós entramos em relacionamentos e casamentos desejando ser servido pelo outro. O outro que faça o esforço de ter as virtudes, de ser uma pessoa melhor e eu continuo do jeito que eu estou. É por isso que nós vemos homens dizendo assim: Eu quero uma mulher que seja ideal para mim. E as mulheres   por sua vez dizem: Estou procurando um príncipe encantado para mim, um homem ideal para minha vida.


Será que esse homem imagina ou passa pela consideração dele que será ele o homem ideal para essa mulher que ele idealiza? Será que essa mulher que quer o príncipe encanto leva em consideração que talvez ela não seja a mulher ideal para esse príncipe?


Toda relação, para evoluir no bem, precisa ser pautada no respeito e apoio mútuo, na caridade, na fraternidade, no amor… E nós só conseguimos isso nos melhorando. Adquirindo virtudes, valores morais, éticos, emocionais, intelectuais, espirituais…


Se nós estamos em um relacionamento é preciso entender que relacionamento é compromisso, e que compromisso precisa ser baseado no respeito.


No livro Vida e Sexo, Emannuel, pela psicografia de Chico Xavier esclarece que o casamento ou a união permanente de dois seres é o regime de vivência através do qual duas criaturas se confiam uma à outra no campo da assistência mútua.


O Livro dos Espíritos trata do tema casamento na questão 695: Será contrário à lei da Natureza o casamento isto é, a união permanente de dois seres? A resposta dos Espíritos: “É um progresso na marcha da Humanidade.”


A união entre dois seres reflete as Leis Divinas. Essa união permanente de um homem e uma mulher, acontece porque essas criaturas são atraídas por interesses afetivos e vínculos sexuais profundos, não é uma invenção humana, é  antes resultado da Lei Divina que nos criou para o regime de interdependência. O casamento será sempre um instituto benemérito, digno de louvores, quando acolhe aquelas criaturas que trabalham no seu próprio aperfeiçoamento e perpetuação porque a lei do renascimento atinge a sua finalidade.


Com o casamento, nasce inevitavelmente o compromisso de um para com o outro, pois ambos viverão na dependência um do outro. O Casamento não é somente uma assinatura num pedaço de papel, não é somente um contrato de compromisso jurídico, é, na verdade, muito mais. É um contrato espiritual de consciência para consciência, de coração para coração, onde surgem compromissos mútuos: materiais, afetivos, morais, espirituais e cármicos, determinando responsabilidades intransferíveis de apoio mútuo.


Quando as obrigações mútuas no casamento não são respeitadas, por exemplo pela traição, a comunhão sexual do casal, que foi injuriada costuma gerar dolorosas repercussões na consciência, estabelecendo problemas cármicos de solução, por vezes, muito difícil, porquanto ninguém fere alguém sem ferir a si mesmo.


Emmanuel vai nos dizer no livro Vida e Sexo, pela psicografia de Chico Xavier que milhões de almas, detidas na evolução primária, jazem no planeta, arraigadas a débitos escabrosos, perante a lei de causa e efeito e, inclinadas que ainda são ao desequilíbrio e ao abuso, exigem severos estatutos dos homens para a regulação das trocas sexuais que lhes dizem respeito, de modo a que não se façam salteadores impunes na construção do mundo moral.


Os débitos que contraímos pelo nosso entendimento imaturo, verde ainda, para os temas do amor, determinam a existência de milhões de uniões supostamente infelizes, nas quais a reparação de faltas passadas confere a nossas relações o aspecto de ligações francamente expiatórias, com base no sofrimento purificador. Emmanuel esclarece que de qualquer modo, é forçoso reconhecer que não existem no mundo conjugações afetivas, sejam elas quais forem, sem raízes nos princípios cármicos, nos quais as nossas responsabilidades são esposadas em comum.


A responsabilidade do casal abrange o desenvolvimento da compreensão, do desejo sincero e do esforço constante para que se possa cumprir, da melhor maneira possível, os compromissos individuais, fazendo da família, do lar um porto de sustentação da união das criaturas para a felicidade do casal e, consequentemente, a dos filhos.


O casamento precisa ser entendido como a busca tanto individual como conjunta do fortalecimento de valores. Que valores? Respeito, caridade, fraternidade, humildade, fidelidade, paciência, tolerância, amor…


O valor de nossa existência está em função do valor que a nossa vida represente para as vidas que nos rodeiam. - Emmanuel, livro Irmão.

Em O Livro dos Espíritos Allan Kardec explica que há duas espécies de afeição: a do corpo e a da alma, tomando-se muitas vezes uma pela outra. A afeição da alma, quando pura e simpática, é durável; a do corpo é perecível. Eis por que, com muita frequência, os que julgavam amar-se eternamente acabam por odiar-se, desde que a ilusão se desfaça. "Quantas uniões infelizes, porque resultaram de um cálculo de interesse ou de vaidade, e nas quais o coração não tomou parte alguma!”  


Mesmo que as uniões matrimoniais representem, na maioria, instâncias de reajustes espirituais, a abolição do casamento seria, pois, regredir à infância da Humanidade e colocaria o homem abaixo mesmo de certos animais que lhe dão o exemplo de uniões constantes.


O casamento na Terra é sempre resultante de determinadas resoluções, tomadas na vida espiritual, antes da reencarnação. Podem ser por orientação de mentores mais elevados, quando a criatura não possui a educação necessária para manejar suas próprias faculdades, ou pode ser em consequência de compromissos livremente assumidos pelas almas, antes de suas novas experiências no mundo.


Percebemos dessa forma a razão pela qual os relacionamento humanos estão previstos na existência dos indivíduos, seja no quadro escuro das provas expiatórias, ou no acervo de valores das missões que regeneram e santificam.


O casal que orienta a vida conjugal, no que tange à intimidade, segundo os padrões do amor que ultrapassam as fronteiras do interesse corporal, que se põe acima do desejo e da posse, exercita, no dia a dia de renúncias, valores eternos que engrandecem corações que estão a caminho para o Supremo Bem.


Nas ligações terrenas, encontramos as grandes alegrias; no entanto, é também dentro delas que somos habitualmente defrontados pelas mais duras provações. Provas, tentações, crises salvadoras ou situações expiatórias surgem na ocasião exata, para nos ensinar através das oportunidades e experiências, que somos capazes de superar os desafios.


O matrimônio pode ser precedido de doçura e esperança, mas isso não impede que os dias subsequentes, em sua marcha incessante, tragam ao casal os resultados das próprias criações que deixaram para trás.


O Evangelho Segundo o Espiritismo esclarece:


Espiritismo e Evangelho contribuem, assim, de maneira inigualável, para que os alicerces do instituto do matrimônio se consolidem na esfera terrestre e se prolonguem nos Planos Espirituais, por ensinarem que as ligações humanas respeitáveis objetivam, em princípio, redimir almas.


Deus quer que as criaturas se unam não só pelos laços da carne, mas também pelos laços da alma. Porque através  da afeição mútua entre os cônjuges, marido e mulher, viessem os filhos e que os dois, marido e mulher, pelo amor e pelo cuidado, auxiliem o progresso dos filhos, pela orientação correta, pelo ensino de valores morais, pelos ensino do evangelho do Cristo.


Hoje, o que vemos é que o casamento não leva em conta a lei de amor, nos casamentos não se leva em conta a afeição de dois seres visto que, na maioria da vezes, essa afeição é rompida. O casamento hoje não leva em consideração a satisfação do coração e sim da do orgulho, da vaidade, da cupidez, numa palavra: de todos os interesses materiais e não espirituais.


Nós vemos os casamentos de conveniência, baseados nos interesses materiais; casamentos baseados na aparência… Se a lei do amor não preside à união das criaturas, o que se vê, frequentemente, é a separação. E vemos também muitos casos de uniões infelizes, que acabam tomando-se criminosas, pela infidelidade, pelo destempero, pela violência.


O casamento, no sentido de organização social, faz parte do processo civilizatório, porque o homem civilizado não pode viver como selvagem;


Em suma, temos consciência à luz do entendimento espírita, que há casamento de amor, de fraternidade, de provação, de dever. O matrimônio espiritual realiza-se, alma com alma, representando os demais simples conciliações indispensáveis à solução de necessidades ou processos retificadores, embora todos sejam sagrados.


No casamento, dois espíritos sob as algemas do remorso, ou constrangidos pelas exigências de evolução, os dois portadores de débitos e necessidades, encontram-se ou reencontram-se no casamento. Esse reencontro é sobretudo um esquema de obrigações regenerativas  que nós trazemos  de outras existências.


Quando estivermos novamente no corpo físico, se nos deixarmos levar pelas ilusões da matéria, por preconceitos antigos, pelo desejo e sensualidade desenfreados, passaremos então pelo casamento, pela responsabilidade matrimonial como se fôssemos sonâmbulos sorridentes, acreditando em felicidade de fantasia.


Somente doando o melhor de nós mesmos em apoio ao nosso companheiro é que conseguiremos assegurar a estabilidade da união em que investimos os melhores sentimentos. E, se já sabemos que a tolerância e a bondade resolvem os problemas em nosso relacionamento afetivo, a nós cabe o primeiro passo a fim de evidenciá-las na vivência comum, garantindo a harmonia no lar.


O Casamento


Deixo para reflexão um pequeno texto de Chico Xavier, no livro O Evangelho de Chico Xavier:


O casamento, para ser sólido, há de ser uma união de almas afins, mas, sem espírito de tolerância, casamento algum vai adiante… União de almas simpáticas é uma raridade sobre a Terra. Quase todos estamos vinculados aos nossos compromissos de existências anteriores… Com o passar do tempo, o casal que descobre entre si certas diferenças não deve se assustar; é natural que seja assim… Se não houver amor, que pelo menos haja respeito. Tenho visto muitos casamentos se desfazerem por causa do extremo egoísmo dos cônjuges, que não se dispõem a um mínimo de sacrifício e de renúncia. Ora, estamos ainda muito longe do amor com que devemos nos consagrar uns aos outros, mas nada nos impede de começar a exercitar a paciência, o perdão, o silêncio… Se um não revidasse quando fosse ofendido pelo outro, teríamos um número infinitamente menor de separações conjugais!…


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